Nostalgia é igual a saudade?

O tempo de São João é especialmente um período nostalgico pra mim, minha adolescência e juventude foram marcadas pelo cheiro da pólvora das bombinhas, pelas letras de forró, pelo gosto dos pratos de comidas típicas e pelos encontros e desencontros nos arraiais da vida.

Mas , hoje, ao contrário de muitos anos, as lembranças parece que se ajustaram no tempo devido, no pretérito. Já nao sou tao convocada a querer, realmente desejar viver tudo de novo. A Karine de hoje realmente é a Karine do presente, que se faz presente, q se sente no presente.

Nao é questão de desvalorizar o que passou. De forma alguma! Todas as  escolhas me trouxeram até aqui. Sou grata à Karine do passado e até acho q com ela me reconcilie, mas agora compreendo que tudo tem seu devido lugar e tempo.

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Exercitando o cérebro e o coração

Parei pra olhar minhas postagens antigas e fiquei tão surpresa com as coisas que eu escrevia. Acho q perdi a mão. Meses atrás estive mais uma vez em terapia. Tudo porque a Catarina estava precisando de ajuda pra assimilar nossa mudança de casa e de vida. Na verdade eu TB precisava assimilar essa mudança. Quando encerramos as sessões a psicóloga sugeriu q eu comprasse um caderno pra escrever essaa minhas questoes. Eu comprei o caderno, mas não deu muito certo. Ele vivia guardado e Catarina logo começou a fazer desenhos nele.

O único espaço que me pertence realmente é esse aqui. Aqui q venho despejar minhas idéias, minhas incertezas, pensamentos, tristezas, coisas engraçadas, inquietações. É o lugar onde escondo e ao mesmo tempo me mostro. Preciso me exercitar, aprender a colocar pra fora as coisas que seguem dentro do meu coração. E agora, mais do que nunca, meu coração segue lotado de coisas.

Olá, sumida

Sei que andei ( muito) sumida daqui. Já falei que quando estou sumida é porque estou vivendo a vida, sem pensar nem problematizar.

No dia 27/02 virei mãe de dois. Meu menino Pedro veio ao mundo. Meu coração abriu um espaço para mais alguém, construí um puxadinho pra edificar mais uma relação de amor.

Entre tantos sentimentos veio o medo da Cataroca se sentir de lado, afinal ela passou sete anos ( quase oito) sendo soberana. Mas algo me dizia que o caminho so podia ser uma boa conversa sobre as mudanças que aconteceriam sobre como o bebê precisaria de mim muitíssimo. Eu estava certa. Não q o diálogo resolva tudo como um passe de mágica…tem dias que é osso, tem dias que a teimosia da minha filhota dói na minha cabeça de mulher em estado puerperal.

Ah o puerpério…como definiria?

Estado de mutação, perda de identidade, insonia intermitente, cansaço físico e mental. Um espaço, um lugar onde você está sempre em segundo plano. Um tempo em que se usa roupas com base na versatilidade (dá pra amamentar?) e funcionalidade (coube em mim?). Um tempo em que nao se tem tempo…nem pra tomar banho mais demorado (do tipo em que se espera o creme de hidratação agir). Um tempo estranho em que dias viram noites e noites viram dia, em que vejo o dia amanhecer. Eu poderia ficar descrevendo e descrevendo , mas só as pessoas que enfrentam essa maratona é que o sabem.

Sete anos de blog

Hoje faz sete anos que migrei esse espaço do MSN para o WordPress. O tempo é implacável, ele nos muda por fora e por dentro. Há sete anos me sentia uma menina sendo forçada a crescer, maturar…hoje não, hoje sou mulher por escolha e também por aceitação, porque todas aquelas experiências que trouxeram e me construíram até aqui. Já tive tanto medo da velhice, da vida adulta, da maturidade. Hoje não tenho medo disso, quero estar nesse lugar, me aceito dentro dele. Talvez a minha cara seja a mesma de meses atrás, mas o que vai por dentro mudou. E sinto que muito mais precisa mudar. Quando entrei na faixa dos trinta me agarrava a cada nuance da juventude, não queria deixar ela ir embora nem na cor dos cabelos, nem no corpo, nem na alma. Tô vendo que isso é uma bobagem. Não adianta tentar ser a mesma sempre. Deixe ser outra pessoa, uma versão mais atual, que me caiba, que me conforte.

Dona Karine Priscila

Muitos meses se passaram desde a última postagem e já não sou mais a mesma. A gente nunca sabe as voltas q o mundo vai dar. E , como num grande teatro da vida, as vezes temos q ocupar papéis que nunca dantes pensamos em exercer. E vejam bem, cá estou eu: casada e grávida novamente, morando fora do cohatrac, preocupada com coisas que antes nem pensava. Agora me arrisco folhear a revista da tupperware em vez da Natura. Agora serei mãe de menina e também de menino. Agora meu coração e meu cérebro estão bem mais compartimentados, tem q caber mais gente e mais necessidades. Agora eu tenho um marido.

Hoje eu entendo o gozo da minha mãe em ir na loja do “mundo do um real” (KKK). Confesso. Ando estrando meu próprio modo de ser feliz, mas feliz estou.

Só não se perca ao entrar no meu infinito particular…

Eu não costumo vir aqui na sexta feira à noite escrever aqui. Aliás, faz tempo q não venho aqui escrever. Não sei se estou em dívida com quem vem ler ou comigo mesma que escrevo. Não tenho refletido muito, apenas tenho vivido. Ou, pelo contrário, até reflito, mas perdi um pouco a mão na contação de histórias da minha vida. Nessa temporada da minissérie da minha vida descubro que sou um personagem comum. Vou ser mais um multidão. Não, eu não acho mais que vou ser cantora, escritora, não vou modificar o mundo,não vou ser uma pessoa que vai criar uma nova teoria da relatividade. Vou ser comum mesmo. E, sinceramente, nem me incomoda. No meu infinito particular, no meu universo mínimo vou construir o meu mundo.  Nessa época de voyeurismo e exibicionismos estou tendendo a me esconder. ” o que eu ganho o que eu perco ninguém precisa saber”.

A Cabana

Há nao sei quantos anos atrás(acho q nove), quando esse blog ainda fazia parte do msn, eu escrevi um pouco nesse Espaço sobre o livro “A Cabana”. Por um acaso do destino, o primeiro capítulo, em uma versão pocket, tinha sido dado de brinde para uma colega minha de serviço que deu pra eu ler. A narrativa era tão envolvente que eu fiquei seduzida de uma forma que me vi sem alternativa: corri pra livraria. Tinha que comprar o livro e saber no que iria dar aquela história de sumiço, assassinato, mistério, descrença e fé. Não me arrependi. Li e gostei. E ainda fiz minha mãe ler e indiquei o livro pra todo mundo.
Agora, em 2017, lançaram o filme e fui lá conferir.
A maioria das pessoas quando lê um livro e vê o filme que fizeram dele pensa ” o livro é bem melhor”, mas no caso do “A Cabana” eu nao senti tanto isso. Não sei se é porque o tempo passou e eu já nem lembro tanto da história, ou se porque realmente conseguiram ter fidelidade ao livro, mas…eu gostei muito do que vi no cinema. Me emocionei muito, do mesmo modo que anos atrás…me fez pensar, me fez chorar, refletir.
E mais uma vez, com a mesma certeza digo: Eu recomendo.